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E agora, José…?

Posted on: novembro 7, 2010

  • In: Sociedade
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Lucas Linhares

O operário-presidente – apesar das disposições elitistas em contrário, que insistem em ridicularizá-lo – pauta seu período no poder maior da República por um repertório vasto de inteligentíssimas considerações. Claro que sua história como presidente também nos oferece deslizes e infelizes boquirrotices. É inegável, contudo, que Lula, além de um país mais promissor, cultural e economicamente mais pujante, deixa também como legado uma série de análises episódicas muito lúcidas sobre momentos específicos destes últimos oito anos.

Em suas metáforas anedóticas, rotulou a oposição como “o ex-marido que não quer ver a ex-mulher ser feliz com outro” e disse que a crise econômica que se abateu como “um tsunami” na maior parte do planeta, iria chegar ao Brasil com a intensidade singela de “uma marolinha”. Lula já foi classificado por intelectuais do quilate de Maria da Conceição Tavares como a maior inteligência “orgânica” que o Brasil já produziu. Evidente que isso não é gratuito. Quando da referida crise de 2008, entonando uma mescla de keynesianismo popular com a constatação marxista de uma profecia auto-realizável, incitou a massa ao consumo para que a economia não parasse de girar. Seu discurso persuasivo, aliado aos incentivos microeconômicos adequados, nos fez surfar na marolinha.

Aproximando estas despretensiosas e enroladas linhas de seu objeto final, vamos nos deter apenas nestes últimos e muito feios tempos de campanha. Desde o início Lula denunciou com veemência o preconceito que estava sendo projetado sobre a candidata por ele indicada e apoiada. Ao final, presidenta já eleita, vaticinou: Serra sai menor dessa campanha. Disse o óbvio e gerou reações as mais raivosas.

José Serra, como de resto toda a oposição, saem sim apequenados e precisam se reestruturar. A campanha tucana adotou a estratégia perversa de despertar na sociedade brasileira os preconceitos mais recônditos. Uma sociedade que visivelmente se moderniza em seus valores culturais e materiais foi instada pela campanha tucana a olhar para trás. Uma sociedade que claramente segue uma dinâmica de integração foi convidada a fincar pés em idéias e perspectivas de tempos idos, em que o nome e o sangue, o lugar e o santo, apartavam as pessoas e mantinham fechadas as portas principais, enquanto a maioria via da janela o mundo de oportunidades passar ao longe.

José Serra já foi homem grande, foi pau que nasceu torto e se endireitou. Claro, no pior sentido que essa expressão pode assumir. E cá estou me eximindo de afirmar que a direita é, a priori, pior que a esquerda; embora eu evidentemente me identifique com esta e não com aquela. Respeito uma direita que enxerga um caminho diferente para construção de uma sociedade diferente daquela com que eu sonho. O que eu não posso e não consigo respeitar é uma perspectiva política que atribui a Lula uma cisão social classista que supostamente dividiu o país entre ricos e pobres, sulistas e nordestinos, ou coisa que o valha. Ora, José, foi você! Ora, José, foi você que, uma vez convertido e passado a religioso-fervoroso-beijador-de-santos, incitou à discórdia. Foi você que antes apoiou o aborto de Mônica e agora pariu Mayara Petruso. Ora, José, você já foi homem grande. Ora, José, você já foi homem digno. E agora, José? A luz apagou. A noite esfriou. Sozinho no escuro. Sem cavalo (e sem Paulo) preto. Vendeu a mãe e o bonde não veio. O dia não veio. Quis ir a Minas. Minas já não havia. Tudo mofou. Sua incoerência. Seu ódio. E agora José, para onde?

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