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O Segredo que Lula passou para Dilma ou A Venezuela não é aqui

Posted on: novembro 1, 2010

  • In: Sociedade
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Carta aos amigos de militância na rua e na internet
Luiz Antonio Correia de carvalho, vulgo Luizão

Pronto: a candidata de Lula e do PT ganhou a eleição e o Brasil afastou de si um pouco mais o cálice maldito da alternância entre muitos copos de estagnação e alguns goles de crescimento, alguma inclusão e muita concentração, opressão irrespirável e alguma degustação democrática. Os compromissos assumidos por Dilma em seu primeiro pronunciamento mostram que Lula não lhe passou apenas o bastão, mas talvez o segredo mais íntimo de sua popularidade e, sobretudo, a receita de um novo Brasil, solidário, mas em nada parecido com a Venezuela ou a Bolívia. Parecido apenas, e cada vez menos, com o velho Brasil. Me explico.

Em recentíssima entrevista Lula recusou terminantemente a caracterização da nossa campanha eleitoral como sendo “dominada pela violência de parte a parte.” Fez bem, no seu modo brechtiano de atuar, ao insurgir-se mais uma vez contra as margens estreitas em que querem circunscrever nossas caudalosas esperanças. Gênio da raça, está certo em resistir ao esforço das antigas elites brasileiras de aparentar seu governo ao coriólico ou balcânico modelo que os bolivianos insistem em conjurar ou, menos ainda, ao incerto estilo venezuelano que, não se sabe por quanto tempo, continuará alimentando e educando bolivarianamente seus filhos mais pobres.
Em seu discurso, no melhor trejeito lulinha-paz-e-amor, abriu mão do seu tanto sou-mulher-mas-tambem-sei-gritar-e-acho-outra-coisa em favor da resiliente resistência dos materiais que, por bem absorver, ampliam suas propriedades: qual Lula em 2006 quando, acusado pela oposição de não prover crescimento, garantiu crescimento, em 2010, Dilma abre os trabalhos prometendo democracia, qualificação do servidor e rédeas no compadrio, responsabilidade fiscal, tudo para persistir bebendo no cálice da desconcentração e do desenvolvimento sustentável. A invés do exemplo falador e defensivo de Chávez, optou pelo estilo ouvidor-resiliente-carinhoso de Lula, contra o qual unem-se por vezes os eternos meninos dos PSTUs e espertos exterminadores catarinenses.

Parece ainda não ter aprendido a importância e o modo de explicar e reiterar, mas ouviu muito bem e viu em que isopor Lula esconde seu galo. E com a capacidade de superação que vem demonstrando, parece que conseguiu até do Merval um fôlego para respirar e retomar os trabalhos. Distinguiu-se da defensiva Marta e não disse que tudo vai bem na saúde. Humildemente, na educação, não insistiu na tese de que basta matricular e, já de olho nos novos critérios do IDH, bateu na tecla da qualidade e nos anos de escolaridade que faltam.

A falta de limites de Serra parece ter ajudado Dilma a superar os seus. Enquanto o belicoso discurso de Serra, que falou de trincheiras e fortalezas, resgatando de seu passado o que não deu certo, dormindo e comendo agora na mão de seus antigos adversários, hoje velhos amigos de todas horas, Dilma mostrou que a Venezuela não é aqui e que seus amigos são os de sempre: os que deram a vida pela liberdade e pela erradicação da miséria e da desigualdade. Ao contrario de Serra, muda de método e mantém o lado.

Quem quer a Venezuela para poder erradicar os amigos dos trabalhadores e do povo pobre e oprimido por reiterados hiatos que os bornhausens estimam em trinta anos, não é o PT dos bairros, das escolas e das fábricas ou o Lulinha que quer o Brasil no caminho da paz e do amor. Nós queremos a constituição e a lei garantida em cada pedaço do território. Queremos o eldorado para todos em Carajás. Queremos paz e progresso nas nossas rocinhas da cidade e do campo. Não temos medo de ser felizes numa democracia que dê direito de expressão a todos. Do contrário, teremos de suportar, porque não agüentamos o negro espetáculo da miséria, a armadilha chavista de futuro incerto, na qual quem aposta são os gladiadores do status quo latino americano, ad seculum seculorum.

Queremos leis e instituições fortes. Para todos. Com estas se combate melhor os malfeitos. Dizer, como disse o tautológico serra-novo-cavaleiro-do-apocalipse, que o decisivo é escolher quem saiba escolher, e voltar a engavetadores que não procuram, polícias que, por exangues, não policiam, interditar paulistanamente quaisquer CPIs, isto sim encaixa-se na caricatura chavista que dizem detestar, mas de que tanto precisam para perpetuar o velho Brasil. A saudável malícia de Lula, percebeu como ganhar do jogo deles. Qual Pelé, Garrincha, Romário agora na bancada e no palanque, Dilma recebeu a dica do caminho do gol, entre as pernas de mais um joão. E até o papa ficou vendo a banda passar alegre e feliz.

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