Porque votamos na Dilma!

30. Porque voto Dilma. Por Harley Silva

Posted on: outubro 24, 2010

  • In: Sociedade
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Voto na Dilma porque vi o Brasil mudar nos últimos oito anos, e não quero que retroceda. Vi o Brasil mudar no que tange a visão de Estado e também quanto à necessidade de enfrentarnossas mazelas históricas de exclusão social.
Tenho 36 anos. Minha família é pobre, de poucos recursos e letras ainda menores. Cresci e convivi nesse paradoxal ambiente social brasileiro, onde o pobre tem a mente formada numa perspectiva diretista, conservadora e retrograda, que é numa concretização assustadora do fenômeno da ideologia, tal qual descrito por Marx, isso é, a visão de mundo do sobrepujadonada mais é do que aquela que o grupo hegemônico alardeia como a de “todos”.

Parte de minha vida de adulto vivi ao longo de governos federais psdbistas. Vi nesse períodoum triunfo da visão liberal de estado. Ancorados na euforia liberal mundial, materializada nofunesto “consenso” (sic!) de Washington, os representantes das elites brasileiras conduziram aseu bel prazer e proveito as rédeas do estado brasileiro. Para este, o Estado, e para aqueles os quais é imprescindível a ação do ente público pode um agente de mudança social, os anos degoverno tucano em Brasília foram uma longa agonia. Ai estive eu, minha família, meus amigos,meus alunos nas escolas publicas na periferia da RMBH onde estive como professor.

Para aqueles governantes o que era “necessário” era abrir economia brasileira para a dinâmicaeconômica internacional; desmontar os setores do estado que não mais interessavam asexigências do mercado, pois já haviam cumprido seus desígnios para alavancar os processos de acumulação (freqüentemente “primitiva”); era necessário superar a instabilidade monetária,abrindo alas para o ciclo de financeirização radical na periferia. Enfim era “urgente e preciso”abrir caminho para um novo ciclo de inserção do país na dinâmica capitalista internacional.

Se isso se faria à maneira de sempre, pouco importava. Se deveríamos seguir “crescendo”(ou não) com base na precarização do trabalho e da vida de milhões de brasileiros; se isso sefaria de forma centrada no uso predatório de recursos naturais; com o aprofundamento dosprocessos de segregação social e urbana; com a reprodução do modelo de ocupação territorialditado por interesses externos, que impede qualquer ensaio de integração do territórionacional numa economia contemporânea que fizesse jus ao potencial de desenvolvimentodigno do povo brasileiro… nada disso importava na prática.

Os discursos de modernização conservadora se tornaram escancarados. “Não precisamosde estado, precisamos de mercado”! Era o mantra… “o estado já fez a sua parte! Está ai aestabilidade monetária”!
O modelo fez água, porém. O ambiente internacional mudou. O liberalismo voltou para seuconfortável refugio nos círculos elitistas, a espreita de um novo momento para sua ofensiva.

A conta havia sido transferida para a população de forma demasiado escancarada. Os beneficiários ficaram sorridentes demais e o calo do povo doeu, mesmo sob o peso doramerrão diário dos meios de comunicação elitistas. Veio a eleição e o povo escolheu amudança. Para o horror da elite nacional, um emigrante nordestino, ex-torneiro mecânicoe sindicalista, acusado amiúde de “semi-analfabeto”, foi escolhido pela população. Lula recebeu seu primeiro diploma como presidente da republica, e não se pode dizer que tenha decepcionado o povo que segue lhe conferindo altíssima aprovação, depois de oito anos de mandato.

Seu governo não se furtou a enfrentar problemas, os quais a simples menção irrita opensamento conservador brasileiro: a erradicação da fome e da miséria; o acesso a educação superior pela população pobre; o enfrentamento do atraso da população afro-descendente;o déficit de habitação de baixa renda; o investimento em infra-estrutura; a reativação daspolíticas de desenvolvimento regional e urbano que haviam sido transformadas em históriada carochinha no governo anterior, graças à fé no mercado e o foco exclusivo na estabilidadefinanceira.
É obvio que não foram anos de sucesso irrestrito, pelo contrário. Nem havia como sê-lo. As estruturas de uma sociedade não se alteram da noite para o dia, nem em oito anos. A mídia prefere, no entanto, falar em escândalos e só neles. Trata-se de vender notícias. Tudo se justifica e se entende com base nisso.

Voto Dilma porque outro Brasil pode ser construído, um Brasil que inclui a periferia, a população pobre, que não reza na cartilha do pensamento único, a única que não irrita a elite. A construção deste Brasil passa pela compreensão de que o Brasil que “não é só zonasul”, “não é só litoral”. Pessoas que ficaram e permanecem “de costas para o Brasil” nesses oito anos querem ressuscitar o moribundo projeto liberal de país. Mas não é este que quer opovo, como deu mostras na preferência por Dilma no primeiro turno.

Voto Dilma e torço para que a surdez salutar da população ao discurso elitista da mídia seconfirme nesse segundo turno.

Viva o Brasil. Viva o povo brasileiro.

Harley Silva, 36 anos. Licenciado em História; economista; mestre em demografia pela UFMG

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