Porque votamos na Dilma!

29. Depoimento do Prof. Arlindo Villaschi, eleitor de Marina

Posted on: outubro 23, 2010

Faço parte de uma geração de brasileiros que viveu a emoção de votar pela primeira vez para Presidente da República ao mesmo tempo em que um filho de 16 anos foi às urnas pela primeira vez.  Talvez por isso, eleição para mim continue sendo uma festa cívica.

E essa festa pode ser ampliada em seu sentido de cidadania pelas novas possibilidades de debates de idéias propiciadas pela internet.  Esse festejar, no primeiro turno para mim,  ensejou eu declarar um voto de oposição ao governo atual, na medida em que tinha a alternativa de votar em Marina Silva.

Votei nela e busquei  argumentar com quem interagi sobre a questão eleitoral durante o primeiro turno, que somente ela poderia enfrentar Dilma com propostas de radicalidade em áreas que me são caras em termos de políticas públicas: inclusão social; educação; saúde; cultura; crédito e financiamento (principalmente para pessoas de baixa renda e micro, pequenas e médias empresas); ciência, tecnologia e inovação; visibilidade e credibilidade do Brasil junto ao mundo.  

O segundo turno veio mas com Marina fora da disputa.  Lamentei mas democracia se faz com respeito à decisão da maioria, mesmo quando você se sente fora dessa maioria.  E nele, minha lista de prioridades continua a mesma.

Em assim sendo, como em suas práticas políticas os partidos que dão sustentação às duas candidaturas se equivalem (no dizer de Zé do Povo[1] , “… são todos farinha do mesmo saco.”), o que me restou foi verificar como essas linhas de ação governamental podem ser melhor atendidas.  Tinha a expectativa de que o Serra neste segundo turno viesse com propostas distintas das que ele veiculou na primeira rodada.

Afinal, mais escolas técnicas, mais bolsa família, mais micro-crédito, mais saneamento básico que ele divulgou no primeiro turno, pareciam-me pouco autênticas vindo de candidato de um partido que, quando no poder,  muito pouco fez nessas áreas.  Lamentavelmente, neste segundo turno, as propostas quando muito, falam de coisas feitas em São Paulo e que seriam ampliadas para o restante do País.  Ou seja, a velha arrogância de políticos paulistas que, quando muito, entendem que o Brasil é modelo ampliado da Av. São João e do interior do admirado estado.

Procuro, então, em minhas trocas de mensagens eletrônicas confrontar a continuidade que representa Dilma nas áreas que entendo prioritárias, com o que compreendo seria um retrocesso nelas caso tivéssemos mais uma administração tucana no Palácio do Planalto.

Lamentavelmente para quem vê no processo eleitoral uma oportunidade ímpar para o confronto de idéias, só o que tenho recebido dos apoiadores da candidatura Serra, são mensagens plenas  de ataques de baixo calão às pessoas de Lula e de Dilma.

A demonização desses, me lembra o que já vi acontecendo entre fundamentalistas cristãos apoiadores de candidaturas de Bush e seus seguidores e daqueles que no Oriente apóiam os Bin Laden da vida.  O Brasil tem que ser berço de algo que nos diferencie desses fundamentalismos que tanto entristecem a quem acredita na tolerância como valor para as relações sociais.

Como ainda temos duas semanas antes do voto em 30 de outubro, proponho a tantos quantos têm o privilégio de viver neste Brasil democrático, que façam suas listas de prioridades para políticas públicas em nível federal, e que confrontem o que cada candidatura representa de possibilidade de avanços nessas prioridades.  E que usem este fantástico meio chamado internet enquanto instrumento para irmos além do que é agendado pelos meios de comunicação tradicionais.

Celebremos nossa democracia.  Afinal, apesar de todas as denúncias de mazelas que nela acontecem, ainda é o melhor regime  para nos fazermos representar (individual e coletivamente). 

 Arlindo Villaschi, Professor e Pesquisador (Depto de Economia/UFES) associado à Rede de Sistemas Produtivos Locais do Grupo de Inovação do Instituto de Economia (IE/UFRJ), coordenador do Grupo de Pesquisa em Inovação e Desenvolvimento Capixaba (Dep. Economia/UFES). Tem-se dedicado à pesquisa e ao ensino de Economia, Inovação e Desenvolvimento Regional.  Pesquisador Convidado do ETLA (instituto de pesquisa da economia finlandêsa, Helsinque 2001/2002) e do IIIT-B (instituto indiano de tecnologia da informação – Bangalore), Bangalore, Índia, em março-maio 2004; e em janeiro-abril 2009 .  Ph.D. em Economia, University of London, Birkbeck College (Inglaterra, 1992); Mestre em Economia pela University of California, Santa Bárbara, (Estados Unidos, 1972); Especialista em Problemas do Desenvolvimento Econômico pela CEPAL/ILPES (1969), Bacharel em Economia pela UFES (Espírito Santo, 1969). Entre setembro de 2004 e o mesmo mês de 2007, foi Diretor Executivo Alterno pelo Brasil e  Suriname junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em Washington, DC, EEUU. 


[1]  – personagem criado por Marco Ortiz para meus programas de TV nas eleições para governador do Espírito Santo em 1986.

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