Porque votamos na Dilma!

21. Voto não é Protesto, Voto é escolha entre Projetos! Pela Profª Esther Dweck

Posted on: outubro 20, 2010

Eu quase sempre votei no PT e para presidente sempre votei no Lula. Em 1989 eu tinha 12 anos, mas acompanhei de perto as eleições, fui a todos os comícios, vi todos os debates, fui a pequenas reuniões na casa de amigos da minha mãe e desde então, passei a pensar que a “ Esperança era Lula” . Sei que muitos lembram com saudosismo daquela campanha e dizem que nunca mais haverá uma campanha como aquela. Isso é verdade. De lá para cá muita coisa aconteceu, o PT cresceu e, finalmente, ganhou a eleição
presidencial em 2002. Aquela visão onírica de 1989 nunca saiu da minha cabeça, mas a realidade me manteve sempre com o pé no chão e com a cabeça e olhos atentos ao que estava acontecendo.

Na minha primeira eleição, em 1994, votei no Lula e repeti o voto em 1998, 2002 e 2006. Mas isso não significa que continuei votando e vendo o Lula com os olhos daquela criança de 1989, que achava que com o Lula e com a redemocratização todos os problemas do Brasil estariam resolvidos. O meu amadurecimento de vida e político foi acontecendo de forma simultânea. Em 1995 entrei para a faculdade de economia e estudei com detalhes o Plano Real e a inflação no Brasil, e posso escrever um texto só de críticas à forma como foi conduzido, que incluiu um grande estelionato eleitoral em 1998 (compra de votos para garantir a reeleição para o FHC e retenção do câmbio até 1999, vendendo empresas públicas a preço de banana para gerar dólares).

Em 2002, entrei para o Doutorado em Economia e estudei Desenvolvimento Econômico. Nos oito anos de governo Lula, com base no que aprendi, fiz muito mais críticas do que elogios. Retirei o broche do Lula da mochila em fevereiro de 2003, após o anúncio de algumas medidas na área econômica e passei os 8 anos criticando tudo aquilo com que não concordava. Às vezes não concordava com o excesso de cautela e
às vezes com a natureza da política econômica. No entanto, nunca tive dúvida de que o governo do PT foi o melhor governo dos últimos 50 anos. Aos poucos ficou claro para mim que mudar radicalmente um país como o Brasil, que foi governado durante quase todos os 500 anos anteriores por uma elite exploradora, não seria possível em 8 anos.

Até o dia 3/10/2010 estava tranquila, decidida a votar na Dilma no primeiro turno, mas sem me mobilizar para isto. Queria que ela ganhasse no primeiro turno para que já começássemos a pensar no próximo governo. Seria como aquele momento depois do carnaval, quando o ano parece que finalmente começou. Mas em 2010, como tem sido a cada quatro anos quando há eleições presidenciais, o ano não começa. Logo depois do carnaval começa a agitação de copa, depois as pessoas lembram que tem que votar para presidente, uma coisa assim simples, que chegamos lá apertamos alguns botões e pronto. Voltamos para casa e, em algumas horas (e não mais dias), sabemos quem foi eleito. No dia seguinte, voltamos à nossa vida e esperamos a copa daqui a quatro anos que, infelizmente, coincidirá com ter que ir, novamente, votar para presidente.

E o que acontece nesses quatro anos?Ah, há as eliminatórias para a copa do mundo. Mas nestes próximos não teremos, o Brasil será a sede da próxima copa, estamos garantidos em 2014. E então, o que faremos nos próximos quatro anos?

A minha visão sobre as eleições é exatamente oposta a essa. Para mim o período mais importante são esses quatro anos entre uma eleição e outra, são os quatro anos nos quais são decididas várias coisas que terão um impacto imediato, mas, principalmente, um impacto futuro muito importante para o Brasil. E são nesses quatro anos que temos um dever, que é muito maior do que votar, que é o dever de discutir e lutar para que as coisas que queremos sejam realizadas.

No entanto, este dever, para ser de fato, tem que estar acompanhado por um espaço possível para que as diferentes forças políticas possam atuar. Precisamos de um Estado que seja realmente público e não privatizado. Não falo de privatização apenas das empresas públicas, falo daprivatização das instituições públicas, justo essas que deveriam servir ao interesse público e que no governo do PSDB foram, na prática,privatizadas.

Mas então por que voto na Dilma. Voto na Dilma pelo futuro, baseado é claro no que vivi no passado e principalmente nos últimos 16 anos em que fomos governados na primeira metade pelo PSDB e na segunda pelo PT. Não vou aqui fazer uma comparação ponto a ponto, outros já estãofazendo com muita competência [1, 2 e 3], então só vou relembrar algumas coisas muito rápidas: ampliação, valorização e interiorização da universidade pública, política de conteúdo nacional para estimular a nossa indústria, estímulo ao mercado interno com a política de distribuição de renda do programa bolsa família e, principalmente, aumento real do salário mínimo;
geração de emprego com carteira assinada, combinado ao aumento dos salários; umainserção internacional soberana, pró-integração latino-americana e sem ALCA.

Mas o ponto central para mim é que voto na Dilma porque quero um governo que me garanta o direito de lutar pelo que acredito e que vai permitir que haja o espaço para que a luta política de diferentes ladostenha peso. Acho que, no Estado que será preservado no governo dela, as lutas dos movimentos sociais serão ouvidas, respeitadas e aos poucos (poderia ser mais rápido talvez) suas demandas são implantadas. Qual é a certeza que eu tenho nisto? Porque o governo do PT, ao contrário do governo do PSDB na presidência, em São Paulo e no Rio Grande do Sul, senta à mesa com os movimentos sociais e não manda a polícia para enfrentá-los
violentamente. O governo do PT também não constrói rampa antimendigo para fingir que acabou com o problema da pobreza nos centros urbanos.

Para mim, voto não é protesto, voto é escolha entre os projetos apresentados (e os que já conhecemos na prática) e os espaços quepoderão ser criados. Protesto se faz nas ruas, durante o intervalo de quatro anos entre um voto e outro para ocupar estes espaços. Se deixarmos para fazer protesto só de quatro em quatro anos por meio do voto, perderemos a verdadeira luta política e entregaremos cargos a qualquer um, elegeremos Tiriricas ao congresso brasileiro. Para mim, a prova que o Tiririca deveria
fazer não é se sabe ler ou escrever, porque caso não saiba, isto é só um reflexo da nossa dura realidade. A prova que deveria fazer é sobre qual é o projeto político dele. Qual é a causa que ele defende? Tenho certeza que muitos analfabetos teriam bandeiras políticas muito melhores do que as de alguns Doutores, mas, infelizmente, não acho que esse seja o caso do Tiririca. Por ironia do destino, ele elegeu o Protógenes.

Eu realmente espero que a Dilma ganhe essa eleição. Se quisermos continuar mudando e ampliando as medidas políticas que garantam o espaço para as transformações sociais tão importantes para o Brasil, não podemos devolver o governo de bandeja ao PSDB/DEM. Eu não fiz campanha no primeiro turno, mas depois de 3/10, estou convencida de
que tenho que ir para as ruas ganhar e garantir os votos que a Dilma precisa para vencer o segundo turno.

Esther Dweck, 33 anos, professora de economia da UFRJ

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2 Respostas to "21. Voto não é Protesto, Voto é escolha entre Projetos! Pela Profª Esther Dweck"

nossa esther, arrasou!!!

Gostei!!! divulgue amplamente!! bjs

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  • João: Caro, Mildred. Obrigado pelo comentário. Os textos aqui publicados são baseados em nossas experiências e percepções da realidade. Para esta p
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