Porque votamos na Dilma!

20. Pela Sedimentação das mudanças, por Bruno Campos

Posted on: outubro 19, 2010

A experiência nos ensina que, em muitas situações, precisamos recorrer ao relativismo para chegarmos a determinadas decisões. Começo este texto em defesa do voto à Dilma, reconhecendo que minha escolha não se dá a favor de projeto que eu considere perfeito. É óbvio que, se dependesse apenas da minha vontade, gostaria que o projeto eleitoral da candidata não envolvesse algumas posturas ou alianças.Todavia, é ingênuo e inútil pensar que, em um ambiente democrático, conquistas políticas sejam alcançadas sem uma dose de transigência. Ademais, ao se associar a uma elite de posições tradicionalmente retrógradas, a chapa oponente deixa de se configurar como alternativa para minha insatisfação com algumas alianças da Candidatura Dilma.

Terminadas as ressalvas, discorro sobre os fundamentos usados em meu exercício de relativização que culminaram com a escolha do meu voto. Desde 2003,disseminaram-se análises que igualam o desempenho do governo Lula com o seu anterior. A despeito de ser um economista, repudio estes argumentos pautados no endeusamento dos indicadores econômicos, como se a única comparação relevante fosse a das variáveis fiscais e monetárias. Em minha opinião, falta sensibilidade para aqueles que não percebem diferenças entre os dois projetos, a começar pela visão do papel do Estado que sustenta o discurso político das duas candidaturas.

Para quem ainda tem dificuldade de enxergar distinções entre as duas propostas,cito posições que, no meu entender, diferenciam os projetos que se confrontamneste segundo turno: 1) o entendimento de que o fosso da desigualdade de renda no Brasil exige medidas imediatas; 2) a forma de promover o fortalecimento do mercado interno pelo incremento do consumo das classes de renda mais pobres e não apenas pela sofisticação do consumo dos mais ricos; 3) a visão do papel das universidades públicas; 4) o reconhecimento da importância do acesso urgente de pobres e negros à educação, incluindo o ensino superior; 5) a política de crédito; 6) a política industrial; 7)o posicionamento frente a questões externas.

Com acertos e erros, o projeto político representado por Dilma se dedicou a tentar rever a trajetória brasileira nestas áreas. É claro que os êxitos em alguns campos foram mais sólidos e emblemáticos do que em outros. Assim como também é claro que o trabalho não foi (e nem poderia!) ter se concluído em apenas oito anos.

Contudo, com a lucidez de quem enxerga percalços pelo caminho e com a confiança de quem percebeu progressos no trabalho em curso, renovo as esperanças de que, ao optar pela Dilma, permanecemos construindo um momento de inflexão em nossa história.
Bruno Campos, 30 anos. Economista e mestre em Economia.

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