Porque votamos na Dilma!

17. Como as políticas do governo transformaram uma comunidade quilombola. Depoimento de Aline Cântia

Posted on: outubro 18, 2010

  • In: Economia e Desenvolvimento | Sociedade
  • Comentários desativados em 17. Como as políticas do governo transformaram uma comunidade quilombola. Depoimento de Aline Cântia

Amigos,

diante de tantos emails desrespeitosos e de tanta acusação preconceituosa da mídia, me sinto com o dever de cidadã, enquanto uma transeunte pelos sertões deste país, ouvindo e contando histórias, relatar uma das centenas de situações que assisto quase diariamente:

Quando fui a primeira vez, há 10 anos (governo FHC) em uma comunidade quilombola onde moravam 5 mil pessoas… eles tinham uma escola caindo aos pedaços… e a professora bebia tanto que não ia. Eu então fiquei lá sete meses… tentando cumprir algum papel por aquela gente. Quantas crianças morreram de catapora nestes meses…

Desde então, volto lá ano a ano. Já são mais de 20 escolas, todas de alvenaria, professores qualificados concursados, material didático específico para a cultura quilombola. Agentes de saúde, ambulância em cada um dos povoados que constituem a comunidade.

Tudo começou com a Bolsa Família, é verdade. Medida emergencial. A partir daí, veio o Luz pra Todos, vieram as capacitações para formação de cooperativas, vieram as formações de gestão para que o doce de buriti, o licor de babaçu, a farinha de mandioca… se transformassem em renda.

Estive lá ontem, há mais 2 mil km de minha casa na cidade grande. Encontrei Juraci, 32 anos, agente de saúde, que me disse que não precisa mais da bolsa família. Conseguiu terminar o segundo grau (com onibus gratuito que levava e buscava todos à noite) e entrou na faculdade de enfermagem pelo Pro-uni. Quando eu o conheci, ele não sabia ler nem escrever. Trabalhava na drenagem de areia (agora proibido de entrar nos rios da comunidade), ganhando 02 reais por dia.

Enfim… pra mim, nestes últimos 8 anos… além da redução da pobreza, promoveu-se a inclusão de milhares de brasileiros, geração de renda e de emprego, cresceu a auto-estima do brasileiro.

Como a construção é humana e, por isso mesmo, imperfeita, e como ela é erguida sobre um passado que nao se pode apagar antes de recomeçar, não é dificil perceber que muitos erros continuam sendo cometidos, alguns erros novos e outros antigos que ainda nao se conseguiu mudar.

Mas acima disso acredito que estao os ideais de gente do bem, que mata um leao por dia pra que as coisas avancem, pra que as pessoas mais humildes tenham acesso a tudo aquilo que lhes é negado em um economia controlada totalmente pelo mercado, como a nossa.
Obrigada.

Aline Cântia

Narradora de histórias, mestre em Estudos Literários, Jornalista.

Anúncios

  • Nenhum
  • João: Caro, Mildred. Obrigado pelo comentário. Os textos aqui publicados são baseados em nossas experiências e percepções da realidade. Para esta p
  • Mildred: Não tenho 'medo' de democracia, mas sim da HIPOCRISIA praticada pelo PT que sempre se colocou contra todos os erros e falcatruas do restante dos par
  • Leon Unger: Soi cineasta, o blog que inseri se refere ao filme atual que estou trabalhando. Mas con relação ao seu post, mesmo com os incentivos que existem pa
%d blogueiros gostam disto: