Porque votamos na Dilma!

12. Depoimento de Victor Acselrad. Sobre a radicalização no 2o turno eleitoral.

Posted on: outubro 14, 2010

  • In: Sociedade
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“Penso nos outros, logo, existo.”
 
Caros amigos,
 
Há tempos, a lógica cartesiana foi desafiada por essa frase do petista Carlito Maia, que deixou saudade até mesmo naqueles que, como eu, sequer o conheceram em vida.
 
Todas as pesquisas mostram que o Brasil se dividiu em torno de políticas sociais nos últimos anos. Essa divisão valeu a Lula o apoio da maioria do eleitorado no país em 2006. Mas o segundo turno da atual campanha eleitoral degenerou em posturas de uma gravidade ímpar. Podendo disputar o voto do eleitorado pobre com outras ideias, Serra apelou para o problema do aborto e se arvora em “defensor da vida”, encurralando a adversária, a quem acusa de ser partidária da “morte”! Com esse discurso, hoje são reais, segundo pesquisas, as suas chances de conquistar uma parte decisiva dos votos do eleitorado pobre que votou em Marina ou Dilma no primeiro turno.
 
É irônico que, diante da possível chegada inédita de uma mulher à Presidência do Brasil, um homem tente derrubá-la explorando um preconceito sinistro cujas vítimas são exatamente as mulheres. Mais grave é o reforço desse preconceito em todas as classes e grupos sociais, e isso pra fins eleitorais, podendo ter ainda consequências nas próximas campanhas na medida em que produza “bons resultados”.
 
Dilma não é minha candidata ideal. Mas o candidato ideal simplesmente não existe. Fernando Pessoa ensinou: “Só nós somos sempre iguais a nós próprios.” Ninguém, afora eu mesmo, representa a totalidade dos meus ideais.
 
Mas acredito que é muito melhor a sociedade brasileira debater as políticas sociais (e ambientais, e de saúde e educação) do que se enredar, através do oportunismo e de calúnias, em questões que ainda forjam maiorias imbuídas de preconceitos seriissimos – os quais, por sinal, nenhum dos dois candidatos realmente têm! Por isso, peço, mais que o voto na Dilma, força e vontade pra que a gente fale abertamente pela corrente que afirma que os mais pobres merecem políticas sociais, e que as mulheres não merecem mais discriminação.
 
Não é do meu feitio invadir emails. Mas é que eu acho que agora a gente precisa repetir pra todo mundo, como um mantra, a frase do Carlito Maia.
 
Um abraço caloroso,
Vitor Acselrad

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