Porque votamos na Dilma!

5. O que me faz votar em Dilma é a esperança que tenho de ver meus filhos viverem no país que, quando jovem, sonhei. Pelo Prof. Carlos Frederico Leão Rocha

Posted on: outubro 11, 2010

Iniciei meus estudos de economia em 1983. O país estava em plena crise, mas, tendo saído de uma ditadura, e sendo jovem, nutria sonhos. Então, sonhava viver, em minha maturidade, em um país que tivesse atingido três grandes metas: (i) o convívio com instituições democráticas estáveis que permitissem a diversidade e o confronto de opiniões; (ii) níveis de renda per capita semelhantes àqueles presentes no sul da Europa; e (iii) níveis de igualdade na distribuição de renda semelhantes aos de alguns países desenvolvidos onde havia vivido durante a minha infância.

Apesar da crise, tinha algumas razões para manter esses sonhos. O país concluía um processo de abertura política, com o retorno de exilados e as discussões políticas voltavam a ser exercidas com liberdade. Ademais, a taxa de crescimento do PIB per capita do pós-guerra era superior a 3% a.a. frente a uma média mundial de 1,5% a.a., o que indicava a possibilidade de reduzir a distância da renda per capita em relação aos países desenvolvidos. Entendia, então, que o processo de democratização em marcha auxiliaria na formulação de políticas que reduziriam a pobreza e distribuiriam a renda para a população.

Tenho 45 anos e sou pai de três crianças. Encontro-me na maturidade e vejo que os objetivos não foram atingidos em sua plenitude, mas sigo otimista e julgo ter razões para isso.

Penso que a plenitude da democracia só foi atingida em 1999. Até lá, muitos obstáculos tiveram de ser ultrapassados. Lembro-me de ir às Diretas Já na Candelária, em 1984, e me decepcionar com a votação da emenda Dante de Oliveira no Congresso. Recordo-me de ser consolado pela eleição de Tancredo e velar por sua morte. Rememoro a frustração de 1989, quando o monopólio privado da televisão influenciou um resultado de eleição que me doeu no coração. Ainda vejo Fernando Henrique Cardoso, em um arroubo digno de Chávez, comprar a alteração da constituição, em mais um golpe branco da história do Brasil, para conseguir um segundo mandato. No entanto, acredito que, de 1999 até os dias de hoje, vivemos momentos tranqüilos de democracia, sem alterações repentinas da ordem jurídica, com presidentes cumprindo sua missão e aceitando as regras do jogo.

Para seguir uma trajetória na direção do nível de renda do sul da Europa, tive de esperar um pouco mais. As seguidas crises do balanço de pagamentos e a inflação elevada impediram o crescimento deste país. Assim, do início do governo Sarney até o final do governo FHC, o crescimento da renda per capita foi de menos de 1% ao ano, bem inferior às taxas praticadas pelo sul da Europa. Em vez de nos aproximarmos, distanciamo-nos dos objetivos que havia sonhado. Apenas após 2003, no governo do Lula, o país voltou a crescer a taxas razoáveis e, finalmente, na minha idade adulta, pude ver o país crescer acima das taxas mundiais. Os dados do IPEA indicam que, nos últimos oito anos, crescemos a renda per capita a uma média de 3% a.a.. Isso sugere que, mantida essa trajetória, meu sonho será atingido na maturidade de meus filhos.

Por fim, vem a igualdade. Este sempre foi o maior e mais difícil sonho. Talvez seja difícil acreditar, mas o Brasil, até 2002, mantinha a mesma distribuição de renda da época da escravidão. E eis que, mais uma vez, no governo daquele que Brizola denominou uma vez de sapo barbudo, a situação se altera. Tiramos 20 milhões de pessoas (duas vezes a população de Portugal) da miséria. Houve o ingresso de 30 milhões na classe média. O IPEA estima que, mantida a trajetória e velocidade de redistribuição da renda do governo Lula, em vinte anos, teremos a distribuição de renda do Canadá. Antes da total maturidade de meus filhos e, na minha velhice, poderei ver mais um sonho cumprido.

Quero seguir esta trajetória que está justificada pelos sonhos que nutro e que vejo serem concretizados. Lula, pelo profundo respeito que tem pelas instituições democráticas, não deu o golpe chavista do PSDB e do FFHH de alterar a Constituição. Assim, deixará o governo ao final deste ano. Voto naquele que se aproxima da trajetória seguida. O que me faz votar em Dilma é a esperança que tenho de ver meus filhos viverem no país que, quando jovem, sonhei.


Carlos Frederico Leão Rocha é professor da UFRJ.

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1 Response to "5. O que me faz votar em Dilma é a esperança que tenho de ver meus filhos viverem no país que, quando jovem, sonhei. Pelo Prof. Carlos Frederico Leão Rocha"

VAMOS NESSA, MINHA GENTE!
É DILMA PRESIDENTE!!!!

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