Porque votamos na Dilma!

2. Por um novo DNA no Estado Brasileiro, por João Paulo Braga

Posted on: outubro 9, 2010

Confesso que sou um “novo” eleitor do PT. Começo pelos motivos que me faziam não votar no Partido. Havia um motivo hereditário, sobre o qual prefiro não me alongar (acreditava nas teses de desrespeito às instituições). Mas havia também um motivo técnico: quando novo, aprendi economia pelos jornais, o que me levou a defender, arduamente, a gestão FHC.

Todavia, na graduação de economia, conheci novas abordagens e modelos para compreensão da nossa realidade. Entendi que poderíamos pensar o país entendendo seus problemas não como restrições mas como oportunidades para atingirmos novos patamares de desenvolvimento. Dentre as restrições, destaco: a exclusão social e a infraestrutura deficitária.

Por isso, sou um entusiasta do último mandato do presidente Lula. Com a coordenação da Ministra Dilma, o governo passou a olhar para dentro do Brasil e entendeu que, nas nossas restrições, estava oportunidade única de crescimento e desenvolvimento inclusivo. Não foi à toa que saímos fortalecidos da última crise internacional.

O primeiro passo foi transformar o Bolsa Família, antes apenas uma Política Social assistencialista, em elemento transformador de realidades e em um dos pilares da política econômica. Como se sabe, este foi o início de um processo de crescimento econômico com distribuição de renda. Associado, claro, ao aumento gradual do salário mínimo. Isto respondia à seguinte pergunta: por que não crescermos aproveitando o imenso mercado brasileiro?

O segundo passo fundamental foi lançar o PAC como direcionador de investimentos em infraestrutura. Tentava-se solucionar as restrições logísticas e de energia do país, gerando empregos e dando ao empresário a confiança necessária ao investimento. Isto associado à Política de Desenvolvimento Produtivo (com incentivos para a indústria) e ao Plano de Ação em Ciência,Tecnologia e Inovação.

Estes dois passos refletem uma filosofia de país que precisa ser continuada: com foco no desenvolvimento, no investimento e na inclusão social. Apenas um governo que acredita no papel indutor do Estado e, com sensibilidade, é capaz de consolidar esta visão no país. E, por isso, votarei na Dilma. Para que futuras alternâncias de poder não retirem esta visão do DNA do Estado brasileiro.

João Paulo Braga, 26 anos, Rio de Janeiro

Economista e mestre em economia pela UFRJ

Anúncios

4 Respostas to "2. Por um novo DNA no Estado Brasileiro, por João Paulo Braga"

Oi, Fred. Me pareceu que a inflexão foi conseqüência da ampliação mas mais do que isso: do fato de terem explicitado que nossa política de desenvolvimento teria o mercado interno como principal impulsionador. Daí, em complemento ao BF, foram introduzidos tb incentivos e financiamento às atividades que mais geram emprego + aumento do mínimo. Para garantir que os benefícios extrapolassem a transf de renda.

Essa coisa de ser direito e não favor, espero que o tempo faça com que todos entendam assim, como política de Estado. Como as UPPs, por ex, também não serão mais vistas como a política do Cabral. Obrigado. abs, João

Agora entendi o instrumento! rs
São dois ótimos pontos os que você levanta, mas eu queria entender melhor como você acha que se deu essa trajetória no BF, de uma programa assistencialista a uma política de garantias e acessos. Dito simples, como foi o caminho do favor ao direito. Porque eu não consigo identificar com tanta clareza onde está o ponto de inflexão, ao contrário do que é perceptível em outras políticas do GovFed. Não acredito q integrar as transferências de renda e ampliar o programa garanta isso, destarte, mesmo que seja um bom caminho, você acha que garante? O ponto de inflexão do BF é a ampliação?

Um governo demo-tucano seria realmente uma descontinuidade nos novos rumos do Brasil

Parabéns pelo artigo. Sou petista de carteirinha, embora nunca tenha sido filiado ao partido. As mudanças que Lula e o PT fizeram no Brasil estão aí e podem ser vistas a olho nu. Só não enxerga quem não quer. A inclusão social está ocorrendo de fato e não pode parar. Por isso, não podemos votar no retrocesso, sob risco de voltarem as privatizações e a economia voltada tão somente ao fortalecimento do capital.
Dilma Lá!

Comentários encerrados.


  • Nenhum
  • João: Caro, Mildred. Obrigado pelo comentário. Os textos aqui publicados são baseados em nossas experiências e percepções da realidade. Para esta p
  • Mildred: Não tenho 'medo' de democracia, mas sim da HIPOCRISIA praticada pelo PT que sempre se colocou contra todos os erros e falcatruas do restante dos par
  • Leon Unger: Soi cineasta, o blog que inseri se refere ao filme atual que estou trabalhando. Mas con relação ao seu post, mesmo com os incentivos que existem pa
%d blogueiros gostam disto: