Porque votamos na Dilma!

Archive for outubro 2010

Se ainda está indeciso, mais 10 motivos em 10 artigos para votar em Dilma! Do amalgama.blog.br: Para votar em Dilma: 10 artigos!

Muita gente bate no peito ao dizer que não vota no PT, por causa das acusações disseminadas pela mídia. Há também os que admitem ter sido um bom governo, mas dizem temer supostos atentados contra a democracia. Aos que se identificam com esses casos, proponho uma reflexão sobre uma importante instituição do sistema político e judicial brasileiro, o Ministério Público da União (MPU).

Quando entrei no MPU como estagiária em 2005, não imaginava encontrar, em uma instituição em que seus membros recebem quase 20 mil reais desde que ingressam, um ambiente de aprovação ao governo do PT. Afinal, boa parte dos meus amigos de colégio festeja quando o Lula comete um erro de Português, colegas de cursinho babam de rir quando um professor faz piada com o cabelo da Dilma e todos os outros meios de elite econômica que frequento também torcem o nariz quando alguém fala bem do governo do PT. Não é difícil entender porque no MPU o quadro era diferente.

O cargo mais alto da instituição, o de Procurador Geral da República (PGR), é ocupado por meio de nomeação do Presidente da República. Apesar de tal previsão legal, os membros do MPU realizam uma eleição interna e indicam ao Presidente aquele Procurador que entendem mais adequado para o exercício do cargo.

O respeito a essa eleição realizada pelos Procuradores de todo o Brasil é, obviamente, indispensável para que o PGR possa desempenhar suas funções com independência, dentre elas, a promoção da ação direta de inconstitucionalidade e das ações penais para denunciar autoridades como deputados federais, senadores, ministros de Estado e o próprio Presidente da República. Sem um PGR desatrelado do Presidente, a independência de todo o MPU fica comprometida e, consequentemente, suas funções investigatórias e processuais em matéria tributária, financeira, criminal e tantas outras deixam de ter o alcance que a democracia exige.

Felizmente, entre 2004 e 2010, já tivemos três diferentes PGRs, Cláudio Fonteles, Antonio Fernando e Roberto Santos, nomeados por Lula, sempre observando o resultado da votação realizada pelos demais membros do MPU. Infelizmente, entre 1995 e 2003, tivemos um único PGR, Geraldo Brindeiro, nomeado e reconduzido ao cargo por mais três vezes por Fernando Henrique, desrespeitando a vontade expressa pelos demais membros do MPU. Brindeiro ficou mais conhecido como o Engavetador ou Arquivador Geral da República.

O pouco apego a eleições democráticas por parte do PSDB também é notório nas universidades públicas. Na UFRJ, Fernando Henrique nomeou reitor o candidato que perdeu as eleições, José Vilhena, responsável por um mandato tão truculento que chegou mandar instalar uma porta de ferro em seu gabinete. Na USP, José Serra seguiu fielmente os passos de seu colega de partido, impondo na reitoria o candidato que havia perdido as eleições, José Rodas. O voto de toda uma comunidade acadêmica, professores, servidores e alunos, na lata do lixo com uma simples canetada.

Para encerrar o assunto, vale lembrar que o PT, com um governo que é avaliado como ótimo ou bom por mais de 80% dos brasileiros e que conta com maioria congressual, não fez qualquer movimento para alterar a Constituição e permitir uma nova reeleição à Presidência da República, preferindo o pleno respeito à democracia e lançando Dilma Roussef candidata, ao invés do mais carismático dos políticos do Brasil.

O PT contrariou os alarmes daqueles setores que já tentaram de tudo para enfraquecer a identificação dos eleitores com o partido, os mesmos setores que tentam desesperadamente criar intrigas às vésperas das eleições. Já o PSDB, com Fernando Henrique, fez aprovar a Emenda Constitucional da reeleição (EC 16/1997), da qual o próprio Fernando Henrique se aproveitou um ano depois, nas eleições presidenciais de 1998.

Pois é, mudaram as regras pouco antes de terminar o jogo, tal e qual a CBF em 1987.

Luanda, 26 anos, gosta de votar.

  • In: Sociedade
  • Comentários desativados em 35. Mobilização. A gente vota Dilma! Com amigos e membros do blog.

Produzido por alunos da ECO/UFRJ

Acabo de chegar da Suécia e, olha, se tem uma coisa que aquele país tem é bebê chorando no metrô, no ônibus, no aeroporto, no avião… enfim, no seu ouvido. Como parte da viagem visava economizar tempo e dinheiro, alguns trajetos dentro do país foram planejados como “tempo para dormir”. Mas não dormi. Não consegui acreditar no meu azar, sempre estar no vagão de dois ou mais bebês
Até que, curioso, questionei meu amigo sueco. Aquilo não é normal, definitivamente. Tem algum prêmio pra ter bebê??
Ele explicou que, na Suécia, todo pai recebe dinheiro para a assistência de um filho. Ou de dois, ou de três… acima de três, o auxílio fica ainda maior. E é proporcional ao seu salário: quanto mais você ganha, maior é o seu benefício.
Na Finlândia, o país considerado número 1 em educação em todo o mundo, se uma criança falta a aula por 2 (dois!) dias consecutivos sem explicação, a polícia vai até sua casa ver se está tudo certo.
O que isso tem a ver com o Brasil? Bom, o bolsa-família, o tal “apoio paternalista e populista” do atual governo nada mais é do que o Estado tomando responsabilidades sociais – o mesmo que acontece na Suécia, na Finlândia, na Dinamarca e na Noruega (países bem atrasados, como você deve saber).
Lá, vi gente criticando a educação, o salário ruim dos professores, e fiquei MUITO P*%# porque olha, se vocês vissem as universidades de lá, vocês iam entender do que eu tô falando.
Sim, nosso sistema de ensino tem muito a melhorar. O salário dos professores tem que ser maior – bem maior -, as escolas têm que ser reformadas e os alunos têm que ter um meio de chegar até elas. Esse papo de que “temos que melhorar as escolas e não dar bolsa-família” é besteira, porque o bolsa-família não exclui a melhoria das escolas. Ele, inclusive, deveria melhorar – uma vez que mais pessoas vão às aulas, mais pessoas podem reivindicar aquilo que é preciso para uma boa educação.
Em 5 anos de faculdade, pude ver melhoria intensa a cada ano que passou. Não passei por nenhuma greve – nem uma sequer – enquanto minha irmã, que estudou na mesma faculdade federal no período FHC teve meses de greve. Eu concluí um curso de 4 anos em 5 porque tive oportunidade de fazer intercâmbio, ela terminou com o mesmo atraso, mas por causa das greves.
Voto na Dilma porque acho que o lugar da criança é na escola, de barriga cheia. Sem limpar as mãos depois das eleições. Nenhum indivíduo é o grande salvador e as mudanças na educação devem ser constantes durante todo o período do mandato.

Mais dados sobre educação no período Lula x FHC aqui e aqui.

Rafael Mattos, 24 anos, radialista e admirador da Escandinávia.

  • In: Educação e Universidade
  • Comentários desativados em 33. Sou da Face/UFMG e Voto Dilma! Pelos alunos, professores e pesquisadores de economia da UFMG
Nós, alunos, ex-alunos, professores e pesquisadores da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais abaixo-assinados, declaramos, aqui, o nosso apoio à candidata Dilma Rousseff no segundo turno das eleições presidenciais de 2010. Cabe lembrar que Dilma Rousseff é ex-aluna da Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG. Em setembro de 2008, ela recebeu da universidade o título de Aluno Destaque. A seguir, manifestamos as razões do nosso apoio.
Considerando que, durante o governo do presidente Lula, houve avanços consideráveis no âmbito do desenvolvimento social e econômico, das melhorias na educação pública, da redução das desigualdades sociais e de uma valorização até então inédita dos excluídos para a construção de um Brasil com mais oportunidades, mais justo e plural, e considerando, também, que Dilma Rousseff exerceu papel ativo nesse governo, acreditamos que Dilma representa a opção pela continuidade das mudanças de que a sociedade brasileira tanto precisa.
As mudanças positivas ocorridas nas universidades federais durante os dois mandatos do governo do presidente Lula são enormes. Nós, que estudamos e trabalhamos na Face nesse período, presenciamos um papel ativo do governo federal na promoção de diversas melhorias na UFMG, muitas das quais na Face, como: a construção do novo prédio, no Campus Pampulha; a ampliação do quadro de professores através da promoção de concursos públicos; a criação, através do Reuni, de diversos novos cursos de graduação na UFMG, dentre os quais os cursos de Controladoria e Finanças e de Relações Econômicas Internacionais, na Face, ampliando significativamente o número de vagas na universidade.
Além disso, cabe lembrar, como vem sendo reafirmado por diversos reitores e professores universitários, que o governo Lula foi o que mais investiu na educação pública técnica e superior e em ciência e tecnologia na história do Brasil. As mudanças promovidas em relação ao governo Fernando Henrique Cardoso são enormes. No período FHC, as universidades públicas brasileiras se defrontaram com problemas gravíssimos, como a falta de recursos físicos e humanos para o seu funcionamento e ampliação. É impossível deixarmos de manifestar a nossa preocupação com a possibilidade de vitória do candidato José Serra, a qual, a nosso ver, representaria um enorme retrocesso em relação aos profundos avanços já conseguidos.
Manifestamos, ainda, o nosso repúdio aos ataques pessoais que vêm sendo feitos à candidata Dilma Rousseff pelos seus opositores políticos e por diversos setores da imprensa.  Entendemos que o pleito político deve se orientar pelo debate concernente aos projetos de desenvolvimento para o Brasil, e não por meio de ataques pessoais, os quais, muitas vezes, não passam de calúnias da pior espécie e visam meramente manipular a opinião pública.
Muito há, ainda, que ser feito para que seja construído o Brasil que de fato queremos. Não deixamos de reconhecer os problemas que nossa sociedade vive e que terão de ser, sem dúvida, enfrentados pelos próximos governos. Dentre as questões mais prementes, está a necessidade de erradicar a pobreza e priorizar políticas que atendam às populações em situação de risco, fornecendo-lhes o apoio necessário para que tenham a sua dignidade efetivada, consolidando a sua cidadania ativa no país.
Entendemos, no entanto, que tão injusto como deixar de reconhecer os problemas que nosso país enfrenta, é menosprezar os avanços e os esforços realizados pelo governo do presidente Lula e da ministra Dilma para solucioná-los ou, pelo menos, minimizá-los. Sendo assim, por todos os motivos expostos acima, não temos dúvidas de que, das duas opções de voto para o segundo turno, Dilma é, de longe, a melhor.
Este manifesto representa, simplesmente, as posições pessoais dos abaixo-assinados, e não expressa qualquer posição institucional da Face ou da UFMG.
Belo Horizonte, outubro de 2010.

Manifesto completo em: http://soudafacevotodilma.blogspot.com/

Outros manifestos de professores em: https://porquevotamosnadilma.wordpress.com/outros-ja-declararam-voto-na-dilma-links/

Meu caro Fernando,

Vejo-me na obrigação de responder a carta aberta que você dirigiu ao Lula, em nome de uma velha polêmica que você e o José Serra iniciaram em 1978 contra o Rui Mauro Marini, eu, André Gunder Frank e Vânia Bambirra, rompendo com um esforço teórico comum que iniciamos no Chile na segunda metade dos nos 1960. A discussão agora não é entre os cientistas sociais e sim a partir de uma experiência política que reflete com todo este debate teórico. Esta carta assimada por você como ex-presidente é uma defesa muito frágil teórica e politicamente de sua gestão. Quem a lê não pode compreender porque você saiu do governo com 23% de aprovação enquanto Lula deixa o seu governo com 96% de aprovação. Já discutimos em várias oportunidades os mitos que se criaram em torno dos chamados êxitos do seu governo. Já no seu governo vários estudiosos discutimos, já no começo do seu governo, o inevitável caminho de seu fracasso junto à maioria da população. Pois as premissas teóricas em que baseava sua ação política eram profundamente equivocadas e contraditórias com os interesses da maioria da população. (Se os leitores têm interesse de conhecer o debate sobre estas bases teóricas lhe recomendo meu livro já esgotado: Teoria da Dependencia: Balanço e Perspectivas, Editora Civilização Brasileira, Rio, 2000).

Contudo nesta oportunidade me cabe concentrar-me nos mitos criados em torno do seu governo, os quais você repete exaustivamente nesta carta aberta.

O primeiro mito é de que seu governo foi um êxito econômico a partir do fortalecimento do real e que o governo Lula estaria apoiado neste êxito alcançando assim resultados positivos que não quer compartir com você… Em primeiro lugar vamos desmitificar a afirmação de que foi o plano real que acabou com a inflação. Os dados mostram que até 1993 a economia mundial vivia uma hiperinflação na qual todas as economias apresentavam inflações superiores a 10%. A partir de 1994, TODAS AS ECONOMIAS DO MUNDO APRESENTARAM UMA QUEDA DA INFLAÇÃO PARA MENOS DE 10%. Claro que em cada pais apareceram os “gênios” locais que se apresentaram como os autores desta queda. Mas isto é falso: tratava-se de um movimento planetário.

No caso brasileiro, a nossa inflação girou, durante todo seu governo, próxima dos 10% mais altos. TIVEMOS NO SEU GOVERNO UMA DAS MAIS ALTAS INFLAÇÕES DO MUNDO. E aqui chegamos no outro mito incrível. Segundo você e seus seguidores (e até setores de oposição ao seu governo que acreditam neste mito) sua política econômica assegurou a transformação do real numa moeda forte. Ora Fernando, sejamos cordatos: chamar uma moeda que começou em 1994 valendo 0,85 centavos por dólar e mantendo um valor falso até 1998, quando o próprio FMI exigia uma desvalorização de pelo menos uns 40% e o seu ministro da economia recusou-se a realizá-la “pelo menos até as eleições”, indicando assim a época em que esta desvalorização viria e quando os capitais estrangeiros deveriam sair do país antes de sua desvalorização, O fato é que quando você flexibilizou o cambio o real se desvalorizou chegando até a 4,00 reais por dólar. E não venha por a culpa da “ameaça petista” pois esta desvalorização ocorreu muito antes da “ameaça Lula”. ORA, UMA MOEDA QUE SE DESVALORIZA 4 VEZES EM 8 ANOS PODE SER CONSIDERADA UMA MOEDA FORTE? Em que manual de economia? Que economista respeitável sustenta esta tese?

Conclusões: O plano real não derrubou a inflação e sim uma deflação mundial que fez cair as inflações no mundo inteiro. A inflação brasileira continuou sendo uma das maiores do mundo durante o seu governo. O real foi uma moeda drasticamente debilitada. Isto é evidente: quando nossa inflação esteve acima da inflação mundial por vários anos, nossa moeda tinha que ser altamente desvalorizada. De maneira suicida ela foi mantida artificialmente com um alto valor que levou à crise brutal de 1999.

Segundo mito; Segundo você, o seu governo foi um exemplo de rigor fiscal. Meu Deus: um governo que elevou a dívida pública do Brasil de uns 60 bilhões de reais em 1994 para mais de 850 bilhões de dólares quando entregou o governo ao Lula, oito anos depois, é um exemplo de rigor fiscal? Gostaria de saber que economista poderia sustentar esta tese. Isto é um dos casos mais sérios de irresponsabilidade fiscal em toda a história da humanidade.

E não adianta atribuir este endividamento colossal aos chamados “esqueletos” das dívidas dos estados, como o fez seu ministro de economia burlando a boa fé daqueles que preferiam não enfrentar a triste realidade de seu governo. UM GOVERNO QUE CHEGOU A PAGAR 50% AO ANO DE JUROS POR SEUS TÍTULOS, PARA EM SEGUIDA DEPOSITAR OS INVESTIMENTOS VINDOS DO EXTERIOR EM MOEDA FORTE A JUROS NORMAIS DE 3 A 4%, NÃO PODE FUGIR DO FATO DE QUE CRIOU UMA DÍVIDA COLOSSAL SÓ PARA ATRAIR CAPITAIS DO EXTERIOR PARA COBRIR OS DÉFICITS COMERCIAIS COLOSSAIS GERADOS POR UMA MOEDA SOBREVALORIZADA QUE IMPEDIA A EXPORTAÇÃO, AGRAVADA AINDA MAIS PELOS JUROS ABSURDOS QUE PAGAVA PARA COBRIR O DÉFICIT QUE GERAVA. Este nível de irresponsabilidade cambial se transforma em irresponsabilidade fiscal que o povo brasileiro pagou sob a forma de uma queda da renda de cada brasileiro pobre. Nem falar da brutal concentração de renda que esta política agravou dráticamente neste pais da maior concentração de renda no mundo. VERGONHA FERNANDO. MUITA VERGONHA. Baixa a cabeça e entenda porque nem seus companheiros de partido querem se identifica com o seu governo…te obrigando a sair sozinho nesta tarefa insana.

Terceiro mito – Segundo você, o Brasil tinha dificuldade de pagar sua dívida externa por causa da ameaça de um caos econômico que se esperava do governo Lula. Fernando, não brinca com a compreensão das pessoas. Em 1999 o Brasil tinha chegado à drástica situação de ter perdido TODAS AS SUAS DIVISAS. Você teve que pedir ajuda ao seu amigo Clinton que colocou à sua disposição ns 20 bilhões de dólares do tesouro dos Estados Unidos e mais uns 25 BILHÕES DE DÓLARES DO FMI, Banco Mundial e BID. Tudo isto sem nenhuma garantia.

Esperava-se aumentar as exportações do pais para gerar divisas para pagar esta dívida. O fracasso do setor exportador brasileiro mesmo com a espetacular desvalorização do real não permitiu juntar nenhum recurso em dólar para pagar a dívida. Não tem nada a ver com a ameaça de Lula. A ameaça de Lula existiu exatamente em conseqüência deste fracasso colossal de sua política macro-econômica. Sua política externa submissa aos interesses norte-americanos, apesar de algumas declarações críticas, ligava nossas exportações a uma economia decadente e um mercado já copado. A recusa dos seus neoliberais de promover uma política industrial na qual o Estado apoiava e orientava nossas exportações. A loucura do endividamento interno colossal. A impossibilidade de realizar inversões públicas apesar dos enormes recursos obtidos com a venda de uns 100 bilhões de dólares de empresas brasileiras. Os juros mais altos do mundo que inviabilizava e ainda inviabiliza a competitividade de qualquer empresa. Enfim, UM FRACASSO ECONOMICO ROTUNDO que se traduzia nos mais altos índices de risco do mundo, mesmo tratando-se de avaliadoras amigas. Uma dívida sem dinheiro para pagar… Fernando, o Lula não era ameaça de caos. Você era o caos. E o povo brasileiro correu tranquilamente o risco de eleger um torneiro mecânico e um partido de agitadores, segundo a avaliação de vocês, do que continuar a aventura econômica que você e seu partido criou para este pais.

Gostaria de destacar a qualidade do seu governo em algum campo mas não posso faze-lo nem no campo cultural para o qual foi chamado o nosso querido Francisco Weffort (neste então secretário geral do PT) e não criou um só museu, uma só campanha significativa. Que vergonha foi a comemoração dos 500 anos da “descoberta do Brasil”. E no plano educacional onde você não criou uma só universidade e entou em choque com a maioria dos professores universitários sucateados em seus salários e em seu prestígio profissional. Não Fernando, não posso reconhecer nada que não pudesse ser feito por um medíocre presidente.

Lamento muito o destino do Serra. Se ele não ganhar esta eleição vai ficar sem mandato, mas esta é a política. Vocês vão ter que revisar profundamente esta tentativa de encerrar a Era Vargas com a qual se identifica tão fortemente nosso povo. E terão que pensar que o capitalismo dependente que São Paulo construiu não é o que o povo brasileiro quer. E por mais que vocês tenham alcançado o domínio da imprensa brasileira, devido suas alianças internacionais e nacionais, está claro que isto não poderia assegurar ao PSDB um governo querido pelo nosso povo. Vocês vão ficar na nossa história com um episódio de reação contra o vedadeiro progresso que Dilma nos promete aprofundar. Ela nos disse que a luta contra a desigualdade é o verdadeiro fundamento de uma política progressista. E dessa política vocês estão fora.

Apesar de tudo isto, me dá pena colocar em choque tão radical uma velha amizade. Apesar deste caminho tão equivocado, eu ainda gosto de vocês ( e tenho a melhor recordação de Ruth) mas quero vocês longe do poder no Brasil. Como a grande maioria do povo brasileiro. Poderemos bater um papo inocente em algum congresso internacional se é que vocês algum dia voltarão a freqüentar este mundo dos intelectuais afastados das lides do poder.

Com a melhor disposição possível mas com amor à verdade, me despeço

Theotonio Dos Santos

thdossantos@terra.com.br, /theotoniodossantos.blogspot.com/

Theotonio Dos Santos é Professor Emérito da Universidade Federal Fluminense, Presidente da Cátedra da UNESCO e da Universidade das Nações Unidas sobre economia global e desenvolvimentos sustentável. Professor visitante nacional sênior da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Minhas duas experiências mais reveladoras em relacão ao projeto de governo do PT se deram na Petrobras e na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). As duas são controladas pelo governo, a Petrobras parcial e majoritariamente e a UFRJ integralmente. São também instituicões que alicercam o Brasil.

A UFRJ é responsável por uma parcela considerável de nossa producão intelectual, científica e política. A Petrobras é a maior contribuidora para o nosso PIB e a empresa que apresenta o espectro de investimentos mais admirável em termos absolutos e em termos de sua variedade. Minha opinião pessoal é de que essas contribuicões só podem ser exercidas em seu mais amplo potencial se o governo em vigor enxergar nessas instituicões uma ferramenta de desenvolvimento do Brasil.

Um dos porquês que me levam a pensar assim é o fato de que o governo determinou que a Petrobras deve contratar bens e servicos com um mínimo de 66% de conteúdo nacional. Como a Petrobras tem fornecedores em vários setores da indústria e do comércio, essa regra alavancou fortemente o crescimento da indústria nacional, como a indústria naval brasileira que estava afundada e agora é responsável por inúmeros postos de trabalho e pelo desenvolvimento técnico do país.

Outro porquê é a revitalizacão da UFRJ após o início do governo Lula. Observo essa mudanca no aumento massiço da contratacão de novos professores adjuntos e substitutos; na construcão do prédio para o Instituto de Física, onde estudei, cujo projeto mantinha-se abstrato por uma década; no crescimento do número de bolsas de pesquisa; no fato de o Instituto de Física ter adquirido grau 7 na CAPES. Durante o mandato de Fernando Henrique e seu Ministro da Educacão Paulo Renato, a UFRJ estava se deteriorando, e eu tive a felicidade de entrar na faculdade no último ano deste mandato e observar as diferencas com a chegada do mandato Lula.

Um outro fato que acredito ser muito relevante em relacão à Petrobras é o de que a empresa passou doze anos sem abrir concursos para novos funcionários. Isso configurou-se num prejuízo para a empresa, que nesse tempo esteve carente de forca técnica para desenvolver suas reservas de petróleo e gás, para descobrir novas reservas, para refinar seu petróleo e distribuir seus derivados. Além do prejuízo material, ocorreu um imenso prejuízo intelectual. A indústria do petróleo se utiliza de tecnologias muito avancadas, que se preservam principalmente pelo conhecimento de seus técnicos, que devem passá-lo adiante para os funcionários mais novos. Contudo, a lacuna temporal de contratacão impossibilitou que funcionários levassem a frente a cadeia de conhecimento técnico antes de se aposentarem.

Paro por aqui para não me estender ainda mais. Esse é apenas um testemunho pessoal meu como cidadão, como estudante e como profissional.

 Um abraco e boas eleicões!

 Julio Frigerio, 27 anos, Geofísico.



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  • João: Caro, Mildred. Obrigado pelo comentário. Os textos aqui publicados são baseados em nossas experiências e percepções da realidade. Para esta p
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  • Leon Unger: Soi cineasta, o blog que inseri se refere ao filme atual que estou trabalhando. Mas con relação ao seu post, mesmo com os incentivos que existem pa